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A indústria de ferramentas e o novo governo

A indústria de ferramentas e o novo governo

“Expectativa, essa foi a palavra mais ouvida em nossa última reunião de diretoria”, diz Milton Pessoa Rezende, presidente da ABFA (Associação Brasileira da Indústria de Ferramentas, Abrasivos e Usinagem). O dirigente explica que o que se espera “é uma sinalização sobre o que o novo governo pretende em termos de política industrial, financeira e tributária”.

Rezende conta que, nos contatos mantidos pela entidade antes da eleição, os dois candidatos manifestaram enorme preocupação com a indústria e disseram que o País não podia abrir mão do setor industrial. “Inclusive citando especificamente a indústria de ferramentas, um setor consolidado no País há mais de 50 anos e que hoje vive um momento de incertezas. Nosso mais recente balanço, ainda não divulgado, mostra queda de 13,7% em 2014 na comparação com o mesmo período do ano passado”, comenta.

Rezende lembra que os custos de produção no País encareceram de tal maneira que hoje mesmo ferramentas vindas da Europa, dos Estados Unidos ou do Japão chegam ao Brasil com preço de 30 a 40% inferiores às produzidas localmente. Sem falar da China. “Com isso, algumas multinacionais que tinham produção local fecharam fábricas e hoje mantêm aqui apenas centros de distribuição, lembrando que o Brasil já foi um polo exportador de ferramentas”, informa.

Além disso, observa que os fabricantes de ferramentas nacionais de pequeno e médio portes enfrentam uma situação ainda mais difícil. “Estão minguando”, frisa.

Na visão do dirigente empresarial, o governo não pode prescindir da indústria e precisa sinalizar o quanto antes qual será o caminho adotado, oferecendo à indústria condições para que possa continuar (ou voltar) a investir. “Clamamos por uma informação, uma luz, sobre os rumos da política industrial e tributária... Pelo menos para saber qual será a regra do jogo”.